O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (6) que o Irã deve aceitar uma “rendição incondicional”, em meio à escalada do conflito no Oriente Médio. A declaração foi publicada pelo próprio presidente em suas redes sociais e reforça a postura mais rígida adotada por Washington durante a guerra que envolve os Estados Unidos, Israel e o governo iraniano.
“Nenhum acordo com o Irã, exceto a rendição incondicional”, escreveu Trump. O presidente também afirmou que, após esse cenário, os Estados Unidos e seus aliados poderiam ajudar na reconstrução econômica do país e na escolha de uma nova liderança política que fosse considerada aceitável pela comunidade internacional.
A declaração ocorreu poucas horas depois de o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmar que alguns países iniciaram esforços de mediação para tentar encerrar o conflito. Apesar da sinalização diplomática, o aumento da pressão política dos Estados Unidos pode dificultar negociações rápidas para um cessar-fogo.
Impacto nos mercados e no fornecimento de energia
O agravamento da crise também provocou forte reação nos mercados financeiros. Bolsas de valores na Europa e nos Estados Unidos registraram queda, enquanto os preços do petróleo atingiram os níveis mais altos desde 2023.
O aumento das tensões no Golfo Pérsico, especialmente com o fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo, elevou as preocupações sobre possíveis impactos no abastecimento global de energia.
Debate sobre nova liderança no Irã
Em entrevista à agência Reuters na quinta-feira (5), Trump também afirmou que os Estados Unidos deveriam ter participação na escolha do novo líder supremo do Irã, após a morte do aiatolá Ali Khamenei, ocorrida no primeiro dia da guerra.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que o governo norte-americano analisa possíveis nomes para o futuro comando do país. Já o embaixador iraniano na Organização das Nações Unidas (ONU), Amir Saeid Iravani, rejeitou qualquer interferência externa e afirmou que a escolha do novo líder será feita exclusivamente conforme os procedimentos constitucionais do Irã.
Bombardeios e expansão do conflito
Enquanto as declarações políticas aumentavam a tensão internacional, os combates continuaram em diversas frentes. Israel realizou novos bombardeios na capital libanesa, Beirute, após ordenar uma evacuação em massa de bairros no sul da cidade.
Segundo o governo israelense, os ataques tiveram como alvo centros de comando ligados à Guarda Revolucionária do Irã e posições do grupo Hezbollah, aliado de Teerã. Não houve confirmação imediata por parte do Irã ou do Hezbollah sobre os ataques.
Israel também informou ter realizado uma nova onda de ataques contra instalações iranianas, incluindo um bunker utilizado por lideranças do país em Teerã.
Ao mesmo tempo, o Irã lançou mísseis e drones contra Israel e também contra países do Golfo que abrigam bases militares norte-americanas, como Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Catar, Bahrein e Arábia Saudita.
Situação humanitária
O avanço da guerra também tem provocado deslocamentos em massa. De acordo com o Conselho Norueguês para Refugiados, cerca de 300 mil pessoas deixaram suas casas no Líbano apenas nos últimos quatro dias.
Moradores relatam dificuldades para encontrar abrigo. “Estamos dormindo nas ruas, alguns em carros, outros na praia. Ninguém trouxe nem um cobertor”, disse um morador que fugiu dos subúrbios do sul de Beirute.
Mortes e investigações
Autoridades iranianas afirmam que mais de 1.300 pessoas morreram no Irã desde o início da guerra, em 28 de fevereiro. No Líbano, o Ministério da Saúde relatou 123 mortos e 683 feridos em decorrência dos ataques israelenses.
Em Israel, ataques iranianos teriam causado a morte de 11 pessoas, enquanto pelo menos seis militares americanos morreram durante operações relacionadas ao conflito.
Investigadores militares dos Estados Unidos também analisam um ataque ocorrido no primeiro dia da guerra contra uma escola iraniana para meninas, que teria matado dezenas de crianças. A apuração ainda não chegou a uma conclusão definitiva.
Fonte: Reuters.
